Quando soube que estrearia uma novela que tinha a ditadura militar como tema, já decidi que iria acompanhá-la. Afinal, minha curiosidade e interesse pela História, sobretudo a do Brasil me estimulam.
E logo nos primeiros capítulosde "Amor e Revolução", vi que a novela superou em alguns aspectos e ficou bem longe em outros das minhas expectativas.
Na opinião praticamente leiga que tenho sobre televisão, direção de TV, sempre acreditei que as novelas da Rede Globo são infinitamente melhores que as produções das outras emissoras.
Será o texto, geralmente infantil, de falas que às vezes lembram jogral do ensino fundamental? - Nem sei se isso ainda existe...
Será a diração, que acaba por forçar o que já não é tão bem escrito pelo autor?
Ou será os cenários, pequenos e limitados?
O que sei é que a Globo tem muito mais qualidade quando o assunto é teledramaturgia no Brasil.
Enfim, disso eu já sabia quando comecei a assistir a "Amor e Revolução". Mas o crédito do SBT é merecido:
Ter coragem de falar de um fato histórico em uma obra extensa.
Porém, não é só no orçamento inferior e na inexperiência profissional que a novela peca.
Realmente os textos beiram as decorebas de teatro amador de escola. Há termos usados que acredito que jamais sairiam das bocas de estudantes, militantes, comunistas históricos, militares e policiais do DOPS.
Com relação às superações das minhas expectativas, está o que acredito ser um exagero: as cenas de tortura e prisões.
"... Amor e Revolução traz longas sequências de tortura. O problema é que elas não são bem-feitas. Ao contrário, poderiam ser chamadas de sensacionalismo melodramático: promovem o encontro estilístico entre o mau gosto e o realismo impostado, que lembra a encenação de crimes de sangue em teatro de circo mambembe. O valor estético é nenhum, mas sempre há o mérito, vá lá, de tocar no assunto. Daí a torcida para que o vexame não seja total nem totalitário."
Não quero aqui dizer que a tortura não existiu ou que foi "ligth", como a infeliz história da "ditabranda". Mas qualquer profissional de TV sabe melhor que eu de que tudo deve ser sob medida.
É importantíssimo e louvável que se mostre todos os lados, inclusive as torturas, as maldades que presos políticos sofreram, mas sem muitas repetições.
Acho até que isso é uma característica de Tiago Santiago - autor da trama, visto que na Record ele usava e abusava de cenas de ação e violência que duravam dias.
Há poucos dias li uma matéria sobre a novela em que o dramaturgo afirma que a novela está prevista para ir de 1964 até a guerrilha do Araguaia, na década de 70.
Ora, senhor autor, se a novela continuar neste ritmo de prende-prende e tortura todo mundo, não vai haver personagem que resista o primeiro ano do golpe!
Outro ponto a se considerar são os erros cometidos pelos personagens. Dia desses, o personagem de Cacá Rosset afirmou que os Estados Unidos depuseram um presidente, fazendo referência ao impeachment de Richard Nixon. Ou eu aprendi errado ou o personagem tem o dom da profecia para falar de um acontecimento de 1974 no ano de 1964!
Apesar de concordar com Bucci, quando afirma que os guerrilheiros serão massacrados uma segunda vez com a novela, acredito também que o SBT e o autor merecem crédito por tratarem de um tema histórico. Já que quem faz direito não o faz, ou se faz, usa horários inoportunos em histórias curtas, chamadas de minisséries, como a Globo já fez em várias ocasiões.
Espero ao menos que a boa intenção sirva de estímulo para outras produções - melhores que essa, tomara - sejam mais comuns na TV brasileira.
É importantíssimo e louvável que se mostre todos os lados, inclusive as torturas, as maldades que presos políticos sofreram, mas sem muitas repetições.
Acho até que isso é uma característica de Tiago Santiago - autor da trama, visto que na Record ele usava e abusava de cenas de ação e violência que duravam dias.
Há poucos dias li uma matéria sobre a novela em que o dramaturgo afirma que a novela está prevista para ir de 1964 até a guerrilha do Araguaia, na década de 70.
Ora, senhor autor, se a novela continuar neste ritmo de prende-prende e tortura todo mundo, não vai haver personagem que resista o primeiro ano do golpe!
Outro ponto a se considerar são os erros cometidos pelos personagens. Dia desses, o personagem de Cacá Rosset afirmou que os Estados Unidos depuseram um presidente, fazendo referência ao impeachment de Richard Nixon. Ou eu aprendi errado ou o personagem tem o dom da profecia para falar de um acontecimento de 1974 no ano de 1964!
Apesar de concordar com Bucci, quando afirma que os guerrilheiros serão massacrados uma segunda vez com a novela, acredito também que o SBT e o autor merecem crédito por tratarem de um tema histórico. Já que quem faz direito não o faz, ou se faz, usa horários inoportunos em histórias curtas, chamadas de minisséries, como a Globo já fez em várias ocasiões.
Espero ao menos que a boa intenção sirva de estímulo para outras produções - melhores que essa, tomara - sejam mais comuns na TV brasileira.